Plato

– E que acontece  – perguntei – quando um homem julga ter agido injustamente? Quanto mais generosa fôr a sua índole, menos capaz será de irritar-se por causa de um sofrimento, seja fome, frio ou qualquer coisa semelhante, que lhe inflija a pessoa ofendida, pois considera merecidos tais castigos e sua cólera recusa levantar-se contra êles.

– É verdade – disse Gláucon.

– Mas quando crê ter sofrido uma injustiça, ferve nêle a cólera impetuosa e toma o partido do que lhe parece ser justo; e, embora passando fome, frio e todos os rigores dessa ordem, suporta-os até triunfar dêles e não desiste de seu propósito enquanto não o leva a cabo ou perece na tentativa – ou até que a voz da razão o faça voltar atrás, como a voz do pastor ao seu cão.

[…]

– Há de lembrar-te que a cólera ou impetuosidade nos pareceu a princípio ser uma espécie de desejo; mas agora vemos que está longe de sê-lo, pois no conflito da alma cerra fileiras com a razão.

Platão, A República

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